Boa noite, estamos sendo acusadas de querer nos passar pelo movimento Catolicas Pelo Direito de Decidir. Então vamos lá deixando bem claro. Não somos o Católicas pelo direito de decidir e deixamos isso claro, nós recomendamos a pagina delas inclusive na nossa pagina:
http://www.facebook.com/CristasPeloDireitoDeDecidiir?ref=ts
assim como também recomendamos as Páginas do Coletivo Antifa Riots e do Blogueiras Feministas. Não foi nossa intenção em momento algum nos passarmos por ela e sim admitimos nos inspiramos nela e muito à admiramos. Não somos um movimento tão grande como elas e sim apenas um coletivo de garotas. Também mudaremos qualquer coisa no nossa profile que as incomode se elas nos pedirem ou alguém que diga fazer parte do grupo. Também nos acusaram de apagar a mensagem que elas colocaram em nossa página do Facebook pela Alexandra Peixoto:
http://www.facebook.com/bocanotrombone
Não apagamos, a mensagem está lá para quem quiser ver. Também nos acusaram de querer usar a mesma Sigla que elas CDD (uma pessoa que não é do "Catolicas pelo Direito de Decidir"), mas em momento nenhum usamos sigla alguma ou nos revindicamos como CDD, ainda assim para evitar confusões mudamos o nome no profile para Cristãs Libertária pelo Direito de Decidir e já estamos discutindo se seria uma boa mudar o nome do coletivo ainda colocando a palavra Libertárias de forma definitiva. Novamente recoloco se for pedido por elas ou por alguêm que me diga fazer parte do grupo que mudemos algo em nosso profile mudaremos, enquanto elas não pedirem não pedirem não farei as mudanças até que se diga quais semelhanças em especifico incomodam. Deixamos uma mensagem no profile delas e não obtivemos assim como mandamos também mensagens para a Alexandra Peixoto dizendo que hora há poderíamos encontrar online para conversarmos assim como demos nosso msn a ela e igualmente não obtivemos resposta.Antes de sermos acusadas de plagio por algumas pessoas já haviamos deixado bem claro em algumas discussões das quais particispamos em grupo que não eramos o CDD, só estamos reafirmando isso aqui devido as acusações. Agradecemos a todas que leram o texto até o fim.
PS:Continuamos admirando o trabalho do Catolicas pelo Direito de Decidir assim como recomendando o site delas em nosso blog e a pagina delas em nossa pagina (mas também retiraremos se assim pedirem).
PS2: NÃO FOMOS ACUSADOS DE PLAGIO POR ELAS, MAS POR OUTROS
terça-feira, 8 de maio de 2012
domingo, 6 de maio de 2012
A má interpretação de Genesis 3
Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?
E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,
Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.
Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.
Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.
E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.
Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.
E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.
E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.
E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,
Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais.
Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis.
Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.
E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim.
E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás?
E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me.
E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?
Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi.
E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi.
Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.
E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.
E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.
Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente,
O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.
E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.
Gênesis 3:1-24
Genesis 3, o que tem de precisamente errado com isso e a interpretação que as pessoas fazem, vamos lá. A maioria das igrejas usam a inter-relação de Gênesis 3 para justificar o trabalho assim como a submissão da mulher como uma ordem de Deus. Mas isso está precisamente errado, vou explicar. Primeiramente Deus não proíbe Adão e Eva comerem o fruto só recomendou que não comessem pois certamente morreriam. Morreriam? Sim e morreram, junto com essas atitudes, surgiu o pecado, mas etimologicamente o que quer dizer pecado? Essa palavra já moralizada pela ortodoxia. Pecado vêm de erro, assim digamos que eles descobriram o que era errar. E porque foi um erro? Ora Pelas suas consequências, tratamos muitas vezes Deus como um senhor absoluto que nos tenta impor sua vontade. Ele nos diz a melhor coisa a se fazer como um conselho mas nos dá liberdade para não cumprirmos porem muitas vezes isso cria consequência o relato segue que:
Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.
E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.
E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.
Gênesis 3:14-21
A maioria das pessoas coloca como se isso fosse uma ordem de Deus, Deus mandou que a mulher fosse submissa e que o homem passasse a viver do trabalho, mas não é bem assim, se bem atentar Deus está falando das consequências do erro. Como surgiu o mal no mundo, como eles conheceram o mal surgiu o trabalho e a opressão a mulher, podemos ver que entre a lista está as dores do parto e a morte, e o evangelho inteiro trata de um relato contra a morte pela Graça. Logo tanto o trabalho como a opressão a mulher são ruins afinais são consequência direta do pecado (erro). Marx disse que a opressão do homem pelo homem começou com a opressão do homem pela mulher e a Bíblia comprova isso. A primeira de todas as opressões foi o patriarcado, o primeiro erro que Deus denuncia, das primeiras consequências do mal. Interessante aqui que assim como Marx coloca que o trabalho (dominação do homem pelo homem) quanto o patriarcado (submissão da mulher ao homem) no mesmo barco.
Fica assim esclarecido a opressão a mulher e sua submissão assim como a opressão do homem pelo homem pelo trabalho são consequências do erro primordial assim são dois erros gravíssimos que devem ser combatidos.
O SENHOR Deus, pois, o lançou fora do jardim do Éden, para lavrar a terra de que fora tomado.
E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida.
Gênesis 3:1-24
Genesis 3, o que tem de precisamente errado com isso e a interpretação que as pessoas fazem, vamos lá. A maioria das igrejas usam a inter-relação de Gênesis 3 para justificar o trabalho assim como a submissão da mulher como uma ordem de Deus. Mas isso está precisamente errado, vou explicar. Primeiramente Deus não proíbe Adão e Eva comerem o fruto só recomendou que não comessem pois certamente morreriam. Morreriam? Sim e morreram, junto com essas atitudes, surgiu o pecado, mas etimologicamente o que quer dizer pecado? Essa palavra já moralizada pela ortodoxia. Pecado vêm de erro, assim digamos que eles descobriram o que era errar. E porque foi um erro? Ora Pelas suas consequências, tratamos muitas vezes Deus como um senhor absoluto que nos tenta impor sua vontade. Ele nos diz a melhor coisa a se fazer como um conselho mas nos dá liberdade para não cumprirmos porem muitas vezes isso cria consequência o relato segue que:
Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.
E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.
E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará.
E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida.
Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.
No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.
E chamou Adão o nome de sua mulher Eva; porquanto era a mãe de todos os viventes.
E fez o SENHOR Deus a Adão e à sua mulher túnicas de peles, e os vestiu.
Gênesis 3:14-21
A maioria das pessoas coloca como se isso fosse uma ordem de Deus, Deus mandou que a mulher fosse submissa e que o homem passasse a viver do trabalho, mas não é bem assim, se bem atentar Deus está falando das consequências do erro. Como surgiu o mal no mundo, como eles conheceram o mal surgiu o trabalho e a opressão a mulher, podemos ver que entre a lista está as dores do parto e a morte, e o evangelho inteiro trata de um relato contra a morte pela Graça. Logo tanto o trabalho como a opressão a mulher são ruins afinais são consequência direta do pecado (erro). Marx disse que a opressão do homem pelo homem começou com a opressão do homem pela mulher e a Bíblia comprova isso. A primeira de todas as opressões foi o patriarcado, o primeiro erro que Deus denuncia, das primeiras consequências do mal. Interessante aqui que assim como Marx coloca que o trabalho (dominação do homem pelo homem) quanto o patriarcado (submissão da mulher ao homem) no mesmo barco.
Fica assim esclarecido a opressão a mulher e sua submissão assim como a opressão do homem pelo homem pelo trabalho são consequências do erro primordial assim são dois erros gravíssimos que devem ser combatidos.
sábado, 5 de maio de 2012
Capitalismo: Boa palavra para má coisa
O editor do The Freeman, Sheldon Richman, falando na George Mason University, suscitou a questão de o que os libertários convencionais querem dizer quando chamam um país de “capitalista.” O que qualifica um país como “capitalista”?
Muitos países com índices relativamente baixos de liberdade econômica (inclusive aqueles classificados como “em sua maior parte não livres”) são convencionalmente considerados “capitalistas,” e assim referidos na propaganda neoliberal que os compara, mostrando-se favorável a eles, a países não capitalistas como Cuba. E as cabeças falantes na CNBC e os escribas da imprensa corporativa comumente se referem a “nosso sistema capitalista,” embora ele nem sequer remotamente se aproxime de um livre mercado.
Assim, no uso comum, entre libertários do establishment e aqueles que passam por intelectuais convencionais do “livre mercado,” qualquer país que não tenha adotado o socialismo marxiano como ideologia oficial é “capitalista.”
Com base nessas observações, Richman conclui que o “capitalismo,” na prática, “designa um sistema no qual os meios de produção, de jure, são de propriedade privada.”
Interessante que Murray Rothbard conta um incidente no qual Ludwig von Mises tornou essa distinção, ou algo parecido com ela, explícita. Ele perguntou a Mises: Dado que há tal espectro de graus possíveis de estatismo, desde o estatismo total ao mercado totalmente livre, e dado que nenhum país se situa em qualquer desses dois extremos, o que você vê como a característica definidora que divide sociedades essencialmente capitalistas das essencialmente não capitalistas? A resposta de Mises: a existência de um mercado de ações. Uma sociedade com um mercado de bens de capital(*) é essencialmente capitalista.(*) capital goods – Bens de capital, ou bens capitais. Parece que a resposta de Mises a Rothbard confunde duas coisas diferentes. Na terminologia marxiana esses bens dizem respeito, originariamente, a meios ou fatores de produção – verhttp://en.wikipedia.org/wiki/Capital_goods e, em português,http://pt.wikipedia.org/wiki/Bem_capital Por outro lado, há, presumo que na área financeira, uma definição com terminologia muito diferentes da marxiana – bens de capital são “ações de ativos físicos ou financeiros capazes de gerar renda.”http://www.powerhomebiz.com/Glossary/glossary-C.htm
Como já destaquei no passado – um ponto ao qual Richman se refere em sua palestra – é bastante estranho “capitalismo” ter sido adotado como palavra convencional para designar uma sociedade baseada na propriedade privada e na liberdade de troca. Não há nenhum motivo óbvio, ao se procurar um nome para uma economia na qual todos os fatores de produção sejam, em tese, iguais e se insiram na livre contratação como iguais, para que o capital seja singularizado especificamente, para efeito de ênfase especial. A escolha de “capitalismo” sugere algum programa ideológico especial, como se o sistema fosse posto a funcionar graças ao, pelo e para o capital, considerado distintamente em relação aos outros fatores de produção.A assunção não verbalizada implícita no chamar-se um país “economicamente não livre” e no entanto ainda assim capitalista é a seguinte: um país não livre economicamente só deixa de ser capitalista quando a perda de liberdade econômica interfere na capacidade das pessoas ricas de se tornarem mais ricas graças a retorno proveniente de terra e capital. Enquanto a falta de liberdade econômica limitar precipuamente a liberdade de os pobres escaparem da pobreza, mas os ricos conseguirem enriquecer-se no estilo da United Fruit Company da Guatemala ou dos clientes de Jack Abramoff nas Ilhas Marianas, ela recebe o selo de aprovação capitalista de Boa Administração Caseira.
A resposta de Mises a Rothbard acima – deixando-se de lado o fato de confundir um “mercado de bens de capital” com um mercado de investimentos financeiros(*) em firmas – implica em que, não importa o quanto não livre economicamente, um país no qual a maioria das empresas tenha proprietários ausentes detentores da concentração de riqueza, e a maior parte do trabalho seja contratado por salários por esses proprietários ausentes, receberá a chancela de “capitalista.” Presumivelmente um país no qual a riqueza seja tão amplamente distribuída e o autoemprego e a propriedade cooperativa sejam formas de organização tão precípuas que o comércio de ações seja de importância marginal recairá no lado “socialista” da linha de Mises – mesmo sem haver quaisquer constrições de regulamentação das transações de mercado e do livre movimento de preços.
(*) equity – http://www.powerhomebiz.com/Glossary/glossary-E.htm#E
Esse é um conjunto de prioridades muito revelador: o “capitalismo,” por oposição ao “socialismo,” não é definido pelo grau de liberdade econômica enquanto tal; é definido por uma estrutura institucional particular desproporcionalmente em benefício de uma classe particular de agentes do mercado.Como evidência de que algumas formas de falta de liberdade são mais importantes do que outras, consideremos a proclividade de alguns direitistas ao dizerem “O autoritarismo de Pinochet foi lamentável, mas pelo menos ele tornou o Chile mais livre economicamente.” Pouco importam questões “menores” como se a reversão de uma reforma agrária e a devolução de terra das pessoas que a haviam trabalhado para uma oligarquia fundiária representaria um passo no sentido de “liberdade econômica.” Consideremos tão somente a supressão autoritária, por Pinochet, do movimento trabalhista: se tivessem sido os donos do capital, e não os vendedores de força de trabalho, os torturados e desaparecidos, ou encontrados em valas com seus rostos desfigurados, duvido que eles dissessem a mesma coisa. É uma estranha diferenciação tratar a repressão dos donos de um fator de produção como econômica, mas dos donos de outro fator como apenas “política.”
Essa assunção subjaz à maioria dos comentários convencionais de “livre mercado” na imprensa corporativa e nos canais noticiosos corporativos: mesmo quando eles explicitamente se referem a “nosso sistema de livre mercado” em termos inquestionávies, em realidade se referem a um sistema no qual a maioria dos empreendimentos empresariais é oficialmente vista como “privada.” Pouco importa o quanto um sistema de regulamentação vigente seja estatista; desde que exercido precipuamente por agentes “privados,” e a maioria do dinheiro passe pelas mãos de tais agentes “privados,” e não pelo Tesouro dos Estados Unidos, tratar-se-á de um sistema de “livre mercado.” Daí o tipo de programa de “livre mercado” que vemos em lugares como a Heritage e o Instituto Adam Smith pela “privatização” de funções do governo mediante contratação delas a “empresas privadas,” mesmo quando a essas empresas garantido lucro a expensas do contribuinte.E, a propósito, aqueles que objetam a tudo isso como forma de jogo sujo semântico deveriam lembrar-se de que Mises e Rand foram responsáveis, a partir dos anos 1920, pela deliberada reabilitação de “capitalismo” como termo de apologética pró-mercado. Antes da época de Mises, “capitalismo” era usado por economistas políticos convencionais para descrever o sistema efetivo de economia política sob o qual viviam – isto é, o capitalismo histórico.
“Capitalismo,” em suma, é a palavra mais honesta para o mercado sem liberdade sob o qual vivemos. É um sistema de, por e para os donos do capital; enquanto ele preservar essa característica precípua, será “capitalista,” pouco importando o quanto o mercado não seja livre.
Kevin Carson
Muitos países com índices relativamente baixos de liberdade econômica (inclusive aqueles classificados como “em sua maior parte não livres”) são convencionalmente considerados “capitalistas,” e assim referidos na propaganda neoliberal que os compara, mostrando-se favorável a eles, a países não capitalistas como Cuba. E as cabeças falantes na CNBC e os escribas da imprensa corporativa comumente se referem a “nosso sistema capitalista,” embora ele nem sequer remotamente se aproxime de um livre mercado.
Assim, no uso comum, entre libertários do establishment e aqueles que passam por intelectuais convencionais do “livre mercado,” qualquer país que não tenha adotado o socialismo marxiano como ideologia oficial é “capitalista.”
Com base nessas observações, Richman conclui que o “capitalismo,” na prática, “designa um sistema no qual os meios de produção, de jure, são de propriedade privada.”
Interessante que Murray Rothbard conta um incidente no qual Ludwig von Mises tornou essa distinção, ou algo parecido com ela, explícita. Ele perguntou a Mises: Dado que há tal espectro de graus possíveis de estatismo, desde o estatismo total ao mercado totalmente livre, e dado que nenhum país se situa em qualquer desses dois extremos, o que você vê como a característica definidora que divide sociedades essencialmente capitalistas das essencialmente não capitalistas? A resposta de Mises: a existência de um mercado de ações. Uma sociedade com um mercado de bens de capital(*) é essencialmente capitalista.(*) capital goods – Bens de capital, ou bens capitais. Parece que a resposta de Mises a Rothbard confunde duas coisas diferentes. Na terminologia marxiana esses bens dizem respeito, originariamente, a meios ou fatores de produção – verhttp://en.wikipedia.org/wiki/Capital_goods e, em português,http://pt.wikipedia.org/wiki/Bem_capital Por outro lado, há, presumo que na área financeira, uma definição com terminologia muito diferentes da marxiana – bens de capital são “ações de ativos físicos ou financeiros capazes de gerar renda.”http://www.powerhomebiz.com/Glossary/glossary-C.htm
Como já destaquei no passado – um ponto ao qual Richman se refere em sua palestra – é bastante estranho “capitalismo” ter sido adotado como palavra convencional para designar uma sociedade baseada na propriedade privada e na liberdade de troca. Não há nenhum motivo óbvio, ao se procurar um nome para uma economia na qual todos os fatores de produção sejam, em tese, iguais e se insiram na livre contratação como iguais, para que o capital seja singularizado especificamente, para efeito de ênfase especial. A escolha de “capitalismo” sugere algum programa ideológico especial, como se o sistema fosse posto a funcionar graças ao, pelo e para o capital, considerado distintamente em relação aos outros fatores de produção.A assunção não verbalizada implícita no chamar-se um país “economicamente não livre” e no entanto ainda assim capitalista é a seguinte: um país não livre economicamente só deixa de ser capitalista quando a perda de liberdade econômica interfere na capacidade das pessoas ricas de se tornarem mais ricas graças a retorno proveniente de terra e capital. Enquanto a falta de liberdade econômica limitar precipuamente a liberdade de os pobres escaparem da pobreza, mas os ricos conseguirem enriquecer-se no estilo da United Fruit Company da Guatemala ou dos clientes de Jack Abramoff nas Ilhas Marianas, ela recebe o selo de aprovação capitalista de Boa Administração Caseira.
A resposta de Mises a Rothbard acima – deixando-se de lado o fato de confundir um “mercado de bens de capital” com um mercado de investimentos financeiros(*) em firmas – implica em que, não importa o quanto não livre economicamente, um país no qual a maioria das empresas tenha proprietários ausentes detentores da concentração de riqueza, e a maior parte do trabalho seja contratado por salários por esses proprietários ausentes, receberá a chancela de “capitalista.” Presumivelmente um país no qual a riqueza seja tão amplamente distribuída e o autoemprego e a propriedade cooperativa sejam formas de organização tão precípuas que o comércio de ações seja de importância marginal recairá no lado “socialista” da linha de Mises – mesmo sem haver quaisquer constrições de regulamentação das transações de mercado e do livre movimento de preços.
(*) equity – http://www.powerhomebiz.com/Glossary/glossary-E.htm#E
Esse é um conjunto de prioridades muito revelador: o “capitalismo,” por oposição ao “socialismo,” não é definido pelo grau de liberdade econômica enquanto tal; é definido por uma estrutura institucional particular desproporcionalmente em benefício de uma classe particular de agentes do mercado.Como evidência de que algumas formas de falta de liberdade são mais importantes do que outras, consideremos a proclividade de alguns direitistas ao dizerem “O autoritarismo de Pinochet foi lamentável, mas pelo menos ele tornou o Chile mais livre economicamente.” Pouco importam questões “menores” como se a reversão de uma reforma agrária e a devolução de terra das pessoas que a haviam trabalhado para uma oligarquia fundiária representaria um passo no sentido de “liberdade econômica.” Consideremos tão somente a supressão autoritária, por Pinochet, do movimento trabalhista: se tivessem sido os donos do capital, e não os vendedores de força de trabalho, os torturados e desaparecidos, ou encontrados em valas com seus rostos desfigurados, duvido que eles dissessem a mesma coisa. É uma estranha diferenciação tratar a repressão dos donos de um fator de produção como econômica, mas dos donos de outro fator como apenas “política.”
Essa assunção subjaz à maioria dos comentários convencionais de “livre mercado” na imprensa corporativa e nos canais noticiosos corporativos: mesmo quando eles explicitamente se referem a “nosso sistema de livre mercado” em termos inquestionávies, em realidade se referem a um sistema no qual a maioria dos empreendimentos empresariais é oficialmente vista como “privada.” Pouco importa o quanto um sistema de regulamentação vigente seja estatista; desde que exercido precipuamente por agentes “privados,” e a maioria do dinheiro passe pelas mãos de tais agentes “privados,” e não pelo Tesouro dos Estados Unidos, tratar-se-á de um sistema de “livre mercado.” Daí o tipo de programa de “livre mercado” que vemos em lugares como a Heritage e o Instituto Adam Smith pela “privatização” de funções do governo mediante contratação delas a “empresas privadas,” mesmo quando a essas empresas garantido lucro a expensas do contribuinte.E, a propósito, aqueles que objetam a tudo isso como forma de jogo sujo semântico deveriam lembrar-se de que Mises e Rand foram responsáveis, a partir dos anos 1920, pela deliberada reabilitação de “capitalismo” como termo de apologética pró-mercado. Antes da época de Mises, “capitalismo” era usado por economistas políticos convencionais para descrever o sistema efetivo de economia política sob o qual viviam – isto é, o capitalismo histórico.
“Capitalismo,” em suma, é a palavra mais honesta para o mercado sem liberdade sob o qual vivemos. É um sistema de, por e para os donos do capital; enquanto ele preservar essa característica precípua, será “capitalista,” pouco importando o quanto o mercado não seja livre.
Kevin Carson
Teologia Pós-liberal e Feminismo
Queria tratar aqui porque na minha opinião o cristianismo é em sua essência feminista e porque para mim não há contradição em crer que a Bíblia foi inspirada por Deus e que Deus trata homens e mulheres igualmente.
Primeiramente gostaria de explicar o método pós-liberal de interpretação bíblica e porque acredito que seja o certo. Existem 4 formas de interpretar a Bíblia:
A Ortodoxa
A Liberal
A Neo-Ortodoxa
e a Pós Liberal
A ortodoxia vêm de ortodoxia mesmo, a Bíblia é a palavra de Deus era toda e foi toda ela escrita por Deus. Ora a própria Bíblia em seu interior se pretende como um livro inspirado apenas e não a palavra de Deus Literal. Sendo assim não podemos considerar que cada virgula foi ali posta por Deus uma vez que a Bíblia foi escrita por homens falhos como nós.
Surge então o liberalismo teológico com o objetivo de relativizar toda a Bíblia. Assim a Bíblia é só mais um livro qualquer, com bons princípios e boas histórias e assim podemos retirar os princípios que me interessem.
Porem igualmente não consigo acreditar nisso. Como o conteúdo da bíblia pode ser relativizado assim sem critério. A questão é que a transformação que o evangelho trás é real. A Bíblia inspirou sim a muitas mudanças em sociedades antigas, não podemos negar que a Bíblia embora carregada de cultura é um livro espiritual e é em princípios espirituais que ela se funda.
Em oposição a ortodoxia e ao liberalismo surge então a Neo-Ortodoxia. A Neo-ortodoxia reconhece de fato a Biblia etá carregadas de princípios espirituais e alguns vêem até os princípios libertários. É possível ver nos atos de Jesus que ele não faz distinção entre homens e mulheres. Que ele combate a opressão e a escravidão ao jeito dele e que não se dobra ao poder do estado e do patriarcado. Tudo isso com base na mensagem da graça, a graça que nos torna todos iguais pois todos seriamos imerecedores de qualquer amor mas recebemos esse amor gratuitamente pelo sacrifício de cristo. Assim se todos somos indignos mas ao contrario Deus nos fez todos dignos. Homens e mulheres, servos, escravos e livres, negros e brancos, não há nada que nos diferencie. Porem a Neo-Ortodoxia também carrega uma falha, embora consiga ver muitos dos princípios ela não usa um critério especifico para o discernimento da palavra. Assim qualquer um poderia extrair qualquer principio sem a distinção de ser algo cultural ou espiritual. Surge então o Pós-liberalismo, o pós liberalismo nos mostra e nos esclarece um principio especifico para a interpretação bíblica. A Bíblia foi inspirada por Deus mas escrita por homens falhos. Nisso eles escreveram tudo com as palavras deles e dando muita opinião deles. Vemos por isso ela recheada de coisas culturais e transitórias que não constituem nada de espiritual ou libertador, por outro lado há sim o espiritual na Bíblia e como há sim o exemplo de Jesus e transcrições da sua palavra. E assim embora Paulo fosse machista e misogeno por exemplo, ao recomendar a mulher aprender em silencio entre outras coisas, vemos um Jesus descrito pela mesma Bíblia que fala o contrario, e quando Paulo fala algumas vezes sobre relacionamento com base em sua espiritualidade ele mesmo contradiz tais opiniões culturais. Entendemos assim que muita coisa da Bíblia é cultural, tudo o que não for espiritual ou não tiver parte em Jesus. Também não acredito que a Bíblia foi mudada, se tivesse sido Deus não se preocuparia em inspirar pessoas a escreve-las, até porque inscrições como o Apocalipse por exemplo foram mandadas escritas em código justamente para que os poderosos não a entendessem e não a destruíssem. Alem do mais todo o conteúdo contra o sistema, contra os opressores, anárquico e subversivo ainda se mantêm lá, não faria sentido mudar a Bíblia e deixar tal conteúdo faria? Podemos ver inclusive que os poderosos também proibiam a leitura da Bíblia durante o tempo em que como religiosos dominaram. Fato que o cristianismo primitivo e Jesus ao contrario dos atuais cristãos e atuais igrejas, revolucionaram a seu tempo e trouxeram a ideia de que a mulher era gente como eles e não mais um objeto. Que elas mereciam voz e espaço, ao ter uma leitura atenta do que o Evangelho retrata Jesus falar e de como a graça é igualitária e integral, não resta duvidas de que a essência do evangelho é libertária e feminista e de que toda a confusão causada (na minha opinião propositalmente) é decorrente da falta de discernimento entre cultura e espiritualidade. E se você ainda tem duvidas ou acha forçosa essa interpretação do cristianismo, saiba que a própria criadora do feminismo como ideia politica a Mary Wollstonecraft era cristã e professava fé nas escrituras.
A paz da Deusa proces
Primeiramente gostaria de explicar o método pós-liberal de interpretação bíblica e porque acredito que seja o certo. Existem 4 formas de interpretar a Bíblia:
A Ortodoxa
A Liberal
A Neo-Ortodoxa
e a Pós Liberal
A ortodoxia vêm de ortodoxia mesmo, a Bíblia é a palavra de Deus era toda e foi toda ela escrita por Deus. Ora a própria Bíblia em seu interior se pretende como um livro inspirado apenas e não a palavra de Deus Literal. Sendo assim não podemos considerar que cada virgula foi ali posta por Deus uma vez que a Bíblia foi escrita por homens falhos como nós.
Surge então o liberalismo teológico com o objetivo de relativizar toda a Bíblia. Assim a Bíblia é só mais um livro qualquer, com bons princípios e boas histórias e assim podemos retirar os princípios que me interessem.
Porem igualmente não consigo acreditar nisso. Como o conteúdo da bíblia pode ser relativizado assim sem critério. A questão é que a transformação que o evangelho trás é real. A Bíblia inspirou sim a muitas mudanças em sociedades antigas, não podemos negar que a Bíblia embora carregada de cultura é um livro espiritual e é em princípios espirituais que ela se funda.
Em oposição a ortodoxia e ao liberalismo surge então a Neo-Ortodoxia. A Neo-ortodoxia reconhece de fato a Biblia etá carregadas de princípios espirituais e alguns vêem até os princípios libertários. É possível ver nos atos de Jesus que ele não faz distinção entre homens e mulheres. Que ele combate a opressão e a escravidão ao jeito dele e que não se dobra ao poder do estado e do patriarcado. Tudo isso com base na mensagem da graça, a graça que nos torna todos iguais pois todos seriamos imerecedores de qualquer amor mas recebemos esse amor gratuitamente pelo sacrifício de cristo. Assim se todos somos indignos mas ao contrario Deus nos fez todos dignos. Homens e mulheres, servos, escravos e livres, negros e brancos, não há nada que nos diferencie. Porem a Neo-Ortodoxia também carrega uma falha, embora consiga ver muitos dos princípios ela não usa um critério especifico para o discernimento da palavra. Assim qualquer um poderia extrair qualquer principio sem a distinção de ser algo cultural ou espiritual. Surge então o Pós-liberalismo, o pós liberalismo nos mostra e nos esclarece um principio especifico para a interpretação bíblica. A Bíblia foi inspirada por Deus mas escrita por homens falhos. Nisso eles escreveram tudo com as palavras deles e dando muita opinião deles. Vemos por isso ela recheada de coisas culturais e transitórias que não constituem nada de espiritual ou libertador, por outro lado há sim o espiritual na Bíblia e como há sim o exemplo de Jesus e transcrições da sua palavra. E assim embora Paulo fosse machista e misogeno por exemplo, ao recomendar a mulher aprender em silencio entre outras coisas, vemos um Jesus descrito pela mesma Bíblia que fala o contrario, e quando Paulo fala algumas vezes sobre relacionamento com base em sua espiritualidade ele mesmo contradiz tais opiniões culturais. Entendemos assim que muita coisa da Bíblia é cultural, tudo o que não for espiritual ou não tiver parte em Jesus. Também não acredito que a Bíblia foi mudada, se tivesse sido Deus não se preocuparia em inspirar pessoas a escreve-las, até porque inscrições como o Apocalipse por exemplo foram mandadas escritas em código justamente para que os poderosos não a entendessem e não a destruíssem. Alem do mais todo o conteúdo contra o sistema, contra os opressores, anárquico e subversivo ainda se mantêm lá, não faria sentido mudar a Bíblia e deixar tal conteúdo faria? Podemos ver inclusive que os poderosos também proibiam a leitura da Bíblia durante o tempo em que como religiosos dominaram. Fato que o cristianismo primitivo e Jesus ao contrario dos atuais cristãos e atuais igrejas, revolucionaram a seu tempo e trouxeram a ideia de que a mulher era gente como eles e não mais um objeto. Que elas mereciam voz e espaço, ao ter uma leitura atenta do que o Evangelho retrata Jesus falar e de como a graça é igualitária e integral, não resta duvidas de que a essência do evangelho é libertária e feminista e de que toda a confusão causada (na minha opinião propositalmente) é decorrente da falta de discernimento entre cultura e espiritualidade. E se você ainda tem duvidas ou acha forçosa essa interpretação do cristianismo, saiba que a própria criadora do feminismo como ideia politica a Mary Wollstonecraft era cristã e professava fé nas escrituras.
A paz da Deusa proces
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Cristianismo/Feminismo/Anarquismo qual a relação?
Há muito tempo eu vejo um revisionismo tentando mostrar o feminismo como uma vertence do pensamento politico que posteiormente teria se ligado ao anarquimo criando o anarko-feminismo. Do mesmo modo vejo tanbem eclodirem alguns novos movimentos "anarko-cristãos" que se dizem tentar fazer uma releitura anarquista do cristianismo como se o mesmo fosse algo no qual somente alguns principios poderiam ser posteriormente ligados. Porem uma releitura minunciosa da história vêm a me provar o contrario de ambos.
Comecemos pelo feminismo, qual a real origem do feminismo, bem o feminismo hoje entendido como teoria politica organizada pelo menos. Há muito tempo um grupo tido como hereges e anticlericais foi perseguido e criminalizado, um grupo no qual se encontrava não só figuras conhecidas pelos anarquistas hoje como William Godwin como tanbem a precurssora do feminismo Mary Wollstonecraft. O que muitos não sabem é aproximação de ambos e até onde uma ideia não influenciou a outra ou tiveram origens comuns.Ok, você se pergunta então o que o cristianismo tem a ver com tudo isso? Bem já chego lá.
Antes de mais nada queria separar aqui o cristianismo religião dos ensinamentos de Jesus em si, o cristianismo anti-institucional como chamam hoje. Fato que qualquer leitura atenta da Biblia mostrará um Jesus não só perseguido pelos religiosos (judeus fariseus, pagãos romanos etc) como tanbem um respeitador de todos os credos de raças, de judeus a samaritanos. Em seu ambito Jesus foi perseguido e morto não só pelos relogiosos da epoca como tanbem os poderosos defensores do imperio, mas essa perseguição não se deu a toa. Primeiro Jesus vêm a inaugurar o conceito de graça numa sociedade onde tudo era conseguido por merito e honra e onde as religiões falavam de barganhas para alcanssar a salvação Jesus vêm a defender que a salvação viria como um dom gratuito pelo unico fato de reconhecer a propria corrupção humana, Corrupção essa que tanbem desconsideraria qualquer forma de autoridade humana criando assim um dos maiores principios que nos guia hoje "todo poder corrompe". De igual modo Jesus alem de lutar contra o poder defendia em sua graça que mesmo não sendo merecedores Deus derrama seu Sol sobre todos bons ou mals, todos assim merecendo tudo, tudo para todos. Apos sua morte e morte de cruz, o crussificado pelos sistema deixou diversos seguidores que não só negavam a autoridade do estado como se reunindo em suas casas negavam a autoridade religiosa pregando a contrução de um "reino de Deus" onde não existiriam meritos ou autoridade mas somente graça, abundante graça. Não demorou muito para que a propria corrupçaõ humana pregada por Jesus fizesse com que poderosos abocanhassem e deturpassem seus ensinos e transformassem o cristianismo numa religião defensora do estado.
O verdadeiros cristãos foram então perseguidos dando origens então a novas predominancias teologicas que não só defendiam o poder e o trabalho como tanbem entregavam esse poder aos donos do estados e autoridades religiosas, se instituiu então uma ditadura religiosa que matava toda a divergencia inclusive que tentasse restaurar a raiz do cristianismo. Com o advento da reforma protestante que dividiu o cristianismo institucional em diversas correntes religiosas foi possivel a um grupo tentar recriar esse primeiro cristianismo sem mestres ou meritos, esses grupos se autodenominavam anabatistas. Não demorou para que o anabatismo se tornasse uma ameaça não só aos reis como aos religiosos provocando assim uma união entre protestantes e catolicos para exterminar a "ameaça camponesa". Como simbolo principal os anabatistas tinham o Alfa e o Omega (a letra A circulada por um O). Anos foram se passando até que varios grupos tentam reproduzir essa organização atravês da força ou atravês da liberdade como os originais, os mesmos foram então considerados precurssores do socialismo. O socialismo forçado com o tempo vai então se contaminando cada vêz mais com ideias estatizantes até que uma dissidencia do anglicanismo novamente tenta recriar a "heresia" dos anabatistas e dos primeiros cristãos.
E o anarquismo e feminismo nisso tudo? Bem lenbra aquele grupo herege anticlerical a qual me referi no começo do texto? É ele essa dissidencia do Anglicanismo a qual me refiro, ele serviu de base para toda a oposição a religiosidade e a autoridade (estatal ou clerical) que influenciou tanto o anarquismo de Godwin quanto o feminismo de Mary Wolltonecraft, sua esposa (o proprio A com o em volta foi reaproveitado por Godwin). Godwin então foi um dos primeiros a colocar como teoria politica o que mais tarde viria a ser chamado de anarquismo, enquanto Mary Wollstonecraft sua esposa baseado não só nas pessimas experiencias que passou pela propria vida como nos ensinamentos do nazareno que conversou e foi atencioso com mulheres numa sociedade onde elas já eram consideradas como lixo inspiraram a criar o que tanbem veio a se chamado de Feminismo. Outra grande curiosidade é que tanto o Feminismo como teoria politica como o Anarquismo não nasceram separados mais juntos se influenciando mutuamente. Posteiriormente Prudhon estendo o anarquismo de teoria politica a economica, retira então todo seu contexto antisexista que demoraria algum tempo pra ser resgatado (alem de dar novo siginficado a sua simbologia Anarquia e ordem), o feminismo tanbem toma outro caminho se desprendendo um pouco de sua origem. Porem conhenhecer a História é indispensavel para que os opressores não modifiquem o passado e reescrevam tanbem nosso presente/futuro. Reconhecer a raiz libertaria e anarquista do feminismo é mais do que necessario pra reconhecermos um dos maiores e eternos aliados do patriarcado, o estado.
Não acho tanbem que seja indispensavel para uma anarquista ou feminista ter alguma forma de espiritualdade, mas combater como se qualquer forma de credo teista fosse um mal alienatorio tanbem é não só ser intolerante e fechado a novas ideias como negar uma das principais contrbuições a luta pela liberdade.
Fonte: http://antifariots.blogspot.com.br/
Comecemos pelo feminismo, qual a real origem do feminismo, bem o feminismo hoje entendido como teoria politica organizada pelo menos. Há muito tempo um grupo tido como hereges e anticlericais foi perseguido e criminalizado, um grupo no qual se encontrava não só figuras conhecidas pelos anarquistas hoje como William Godwin como tanbem a precurssora do feminismo Mary Wollstonecraft. O que muitos não sabem é aproximação de ambos e até onde uma ideia não influenciou a outra ou tiveram origens comuns.Ok, você se pergunta então o que o cristianismo tem a ver com tudo isso? Bem já chego lá.
Antes de mais nada queria separar aqui o cristianismo religião dos ensinamentos de Jesus em si, o cristianismo anti-institucional como chamam hoje. Fato que qualquer leitura atenta da Biblia mostrará um Jesus não só perseguido pelos religiosos (judeus fariseus, pagãos romanos etc) como tanbem um respeitador de todos os credos de raças, de judeus a samaritanos. Em seu ambito Jesus foi perseguido e morto não só pelos relogiosos da epoca como tanbem os poderosos defensores do imperio, mas essa perseguição não se deu a toa. Primeiro Jesus vêm a inaugurar o conceito de graça numa sociedade onde tudo era conseguido por merito e honra e onde as religiões falavam de barganhas para alcanssar a salvação Jesus vêm a defender que a salvação viria como um dom gratuito pelo unico fato de reconhecer a propria corrupção humana, Corrupção essa que tanbem desconsideraria qualquer forma de autoridade humana criando assim um dos maiores principios que nos guia hoje "todo poder corrompe". De igual modo Jesus alem de lutar contra o poder defendia em sua graça que mesmo não sendo merecedores Deus derrama seu Sol sobre todos bons ou mals, todos assim merecendo tudo, tudo para todos. Apos sua morte e morte de cruz, o crussificado pelos sistema deixou diversos seguidores que não só negavam a autoridade do estado como se reunindo em suas casas negavam a autoridade religiosa pregando a contrução de um "reino de Deus" onde não existiriam meritos ou autoridade mas somente graça, abundante graça. Não demorou muito para que a propria corrupçaõ humana pregada por Jesus fizesse com que poderosos abocanhassem e deturpassem seus ensinos e transformassem o cristianismo numa religião defensora do estado.
O verdadeiros cristãos foram então perseguidos dando origens então a novas predominancias teologicas que não só defendiam o poder e o trabalho como tanbem entregavam esse poder aos donos do estados e autoridades religiosas, se instituiu então uma ditadura religiosa que matava toda a divergencia inclusive que tentasse restaurar a raiz do cristianismo. Com o advento da reforma protestante que dividiu o cristianismo institucional em diversas correntes religiosas foi possivel a um grupo tentar recriar esse primeiro cristianismo sem mestres ou meritos, esses grupos se autodenominavam anabatistas. Não demorou para que o anabatismo se tornasse uma ameaça não só aos reis como aos religiosos provocando assim uma união entre protestantes e catolicos para exterminar a "ameaça camponesa". Como simbolo principal os anabatistas tinham o Alfa e o Omega (a letra A circulada por um O). Anos foram se passando até que varios grupos tentam reproduzir essa organização atravês da força ou atravês da liberdade como os originais, os mesmos foram então considerados precurssores do socialismo. O socialismo forçado com o tempo vai então se contaminando cada vêz mais com ideias estatizantes até que uma dissidencia do anglicanismo novamente tenta recriar a "heresia" dos anabatistas e dos primeiros cristãos.
E o anarquismo e feminismo nisso tudo? Bem lenbra aquele grupo herege anticlerical a qual me referi no começo do texto? É ele essa dissidencia do Anglicanismo a qual me refiro, ele serviu de base para toda a oposição a religiosidade e a autoridade (estatal ou clerical) que influenciou tanto o anarquismo de Godwin quanto o feminismo de Mary Wolltonecraft, sua esposa (o proprio A com o em volta foi reaproveitado por Godwin). Godwin então foi um dos primeiros a colocar como teoria politica o que mais tarde viria a ser chamado de anarquismo, enquanto Mary Wollstonecraft sua esposa baseado não só nas pessimas experiencias que passou pela propria vida como nos ensinamentos do nazareno que conversou e foi atencioso com mulheres numa sociedade onde elas já eram consideradas como lixo inspiraram a criar o que tanbem veio a se chamado de Feminismo. Outra grande curiosidade é que tanto o Feminismo como teoria politica como o Anarquismo não nasceram separados mais juntos se influenciando mutuamente. Posteiriormente Prudhon estendo o anarquismo de teoria politica a economica, retira então todo seu contexto antisexista que demoraria algum tempo pra ser resgatado (alem de dar novo siginficado a sua simbologia Anarquia e ordem), o feminismo tanbem toma outro caminho se desprendendo um pouco de sua origem. Porem conhenhecer a História é indispensavel para que os opressores não modifiquem o passado e reescrevam tanbem nosso presente/futuro. Reconhecer a raiz libertaria e anarquista do feminismo é mais do que necessario pra reconhecermos um dos maiores e eternos aliados do patriarcado, o estado.
Não acho tanbem que seja indispensavel para uma anarquista ou feminista ter alguma forma de espiritualdade, mas combater como se qualquer forma de credo teista fosse um mal alienatorio tanbem é não só ser intolerante e fechado a novas ideias como negar uma das principais contrbuições a luta pela liberdade.
Fonte: http://antifariots.blogspot.com.br/
O impacto do feminismo sobre o estudo das religiões
Talvez se possa dizer que as religiões estão entre os campos que sofreram mais fortemente os impactos do feminismo, seja pelas mudanças provocadas nas práticas religiosas das mulheres, seja pela influência sobre o desenvolvimento de um novo discurso – a Teologia Feminista. Os efeitos da crítica feminista às religiões foram também dos mais contraditórios: do abandono de qualquer fé religiosa pelas mulheres, à criação de espaços feministas de espiritualidade de vários tipos, expressando uma enorme criatividade e efervescência. Na área das Ciências Humanas, no entanto, o desenvolvimento de uma análise feminista das religiões que tomasse em conta as diferentes formas pelas quais as relações entre os sexos moldam práticas, representações e discursos religiosos, foi bem mais lento. Quando, em 1985, comecei o doutorado, meu objeto de estudo era a relação mulheres e religião. Deparei-me então, com um problema de caráter teórico-metodológico. Ao buscar um quadro de análise oriundo das Ciências Sociais, que me permitisse analisar, de uma perspectiva feminista, essa complexa relação, percebi um enorme vazio, já antes observado, quando estudei as religiosas católicas. De um lado, para o feminismo laico – para nomeá-lo, de alguma maneira –, era como se, lembrando Marx, a crítica da religião já estivesse feita, o anátema lançado, e nada mais houvesse a tratar. Da parte da abordagem sociológica das religiões, o feminismo, enquanto proposta de análise, não existia. Parecia academicamente impróprio interrogar a realidade religiosa do ponto de vista das diferenças colocadas pelas relações sociais estabelecidas entre os sexos. Assim, abordar sociologicamente o tema religião, perguntando pelas mulheres, do ponto de vista da crítica feminista, era como andar sem bússola pelo deserto. No entanto, havia já na Europa, e mais fortemente nos Estados Unidos, uma considerável bibliografia crítica feminista elaborada por teólogas cristãs. Woodhead faz um balanço semelhante:
Até recentemente, o tópico gênero esteve quase ausente da agenda do estudo da religião. A situação mudou em parte como resultado da chamada “segunda onda” do feminismo, que se desenvolveu depois dos anos 1960. Suas perspectivas e análises, gradualmente, influenciaram muitas disciplinas que compõem o estudo da religião, da história a antropologia.
Hoje, a situação é bastante diferente. Nas últimas décadas, não só a crítica interna estendeu-se a outras religiões não ocidentais, como também os estudos acadêmicos feministas das religiões desenvolveram-se, para além da teologia. Já se pode encontrar um expressivo número de análises feministas da religião, em diferentes campos disciplinares: Sociologia, Antropologia, História, Psicologia, Filosofia, para nomear alguns. No presente texto pretendo abordar esse processo de desenvolvimento de um campo próprio de estudos da religião inspirados no Feminismo, como corrente do pensamento contemporâneo. Não se trata, de forma alguma, de um trabalho exaustivo. Ao contrário, fico especialmente em dívida com a bibliografia brasileira, tanto no campo da Teologia, como no campo das Ciências Sociais e da História.
Maria José Rosado
Até recentemente, o tópico gênero esteve quase ausente da agenda do estudo da religião. A situação mudou em parte como resultado da chamada “segunda onda” do feminismo, que se desenvolveu depois dos anos 1960. Suas perspectivas e análises, gradualmente, influenciaram muitas disciplinas que compõem o estudo da religião, da história a antropologia.
Hoje, a situação é bastante diferente. Nas últimas décadas, não só a crítica interna estendeu-se a outras religiões não ocidentais, como também os estudos acadêmicos feministas das religiões desenvolveram-se, para além da teologia. Já se pode encontrar um expressivo número de análises feministas da religião, em diferentes campos disciplinares: Sociologia, Antropologia, História, Psicologia, Filosofia, para nomear alguns. No presente texto pretendo abordar esse processo de desenvolvimento de um campo próprio de estudos da religião inspirados no Feminismo, como corrente do pensamento contemporâneo. Não se trata, de forma alguma, de um trabalho exaustivo. Ao contrário, fico especialmente em dívida com a bibliografia brasileira, tanto no campo da Teologia, como no campo das Ciências Sociais e da História.
Maria José Rosado
A Contribuição feminina no moderno pensamento cristão
Jesus Cristo tinha um comportamento completamente revolucionário em seu relacionamento com as mulheres de sua época. Ao contrário de parcela significativa dos líderes religiosos, políticos e filosóficos influentes de seu contexto histórico, convivia com o gênero feminino de forma igualitária. São numerosas as passagens bíblicas que revelam diálogos surpreendentes entre Cristo e personagens femininas, sendo que, em determinados casos, o próprio mestre deixou-se persuadir pelos argumentos de desprezadas mulheres, mudando, até mesmo, de opinião (Marcos 7.24-30). Os quatro evangelhos narram a participação decisiva de mulheres no ministério de Jesus, destacando-se a figura de Maria Madalena, considerada por verdadeiros gigantes da teologia cristã, como Gregório de Antioquia e Pedro Abelardo, apóstola dos apóstolos.
Ainda no início do movimento cristão, a participação feminina, até mesmo em postos de comando e influência, foi atestada pela própria Bíblia. Personagens como Lídia, Febe, Priscila, Junia, Evódia, Síntique comprovam esta tese.
No entanto, com o passar do tempo e com a institucionalização do cristianismo, este absorveu boa parte do machismo predominante na sociedade como um todo. Desta forma, a influência feminina na jovem igreja cristã foi, gradativamente, relegada a segundo plano.
Durante todo o período medieval e até mesmo na época da reforma protestante, raras vozes femininas foram ouvidas. Pregadoras leigas valdenses e posteriormente calvinistas, assim como místicas católicas, como Teresa de Ávila, compunham uma minoria bastante reprimida.
Foi apenas no final do século dezenove que o pensamento teológico feminista deu seus primeiros passos, tendo como ponto de partida o projeto desenvolvido pela presbiteriana estadunidense Elisabeth Cady Stanton, denominado A Bíblia da Mulher. Importante líder abolicionista e feminista em seu país, Cady Stanton, como cristã, não aceitava a interpretação machista das Escrituras. Assim, com outras mulheres versadas nas línguas bíblicas originais, publicou, entre 1895 e 1898, dois volumes voltados à interpretação do texto sagrado sob um prisma feminino. A Bíblia da Mulher tinha como meta ressaltar a importância do sexo feminino na história sagrada, assim como reinterpretar de uma forma libertária os textos considerados machistas e preconceituosos.
Após este primeiro estágio, a assim chamada teologia feminista seguiu linhas diferentes. Algumas teólogas abandonaram por completo o cristianismo por considerá-lo incompatível com a luta em prol da emancipação feminina. É o caso da anteriormente católica Mary Daly, que afirma em sua obra Além de Deus, o Pai, que a linguagem fundadora do cristianismo é voltada, exclusivamente, para a manutenção do poder masculino. Outras, como Carol Christ, Elga Sorge e Elizabeth Gould Davis, decidiram retornar às antigas tradições pagãs, onde o culto a divindades femininas era bastante influente. Também houve uma revitalização por parte destas pensadoras da antiga forma de magia celta denominada Wicca, sendo as principais divulgadoras Miriam Simos e Zsuzsanna Budapest.
Não obstante esta radical ruptura com a tradição judaico-cristã promovida por algumas religiosas, parcela majoritária das teólogas permaneceu no cristianismo, tendo como meta continuar o trabalho iniciado por Cady Stanton e suas colegas. Dentre este grupo predominante, destacam-se os nomes de Rosemary Ruether eElisabeth Fiorenza.
Ligadas ao catolicismo romano, escreveram teses fundamentais para que a teologia feminista cristã atingisse a maturidade. Dentre os vários livros de autoria de Elisabeth Fiorenza, podemos destacar o clássico Em Memória Dela, onde o importante papel histórico exercido pelas mulheres na formação do cristianismo é relembrado. Já a principal obra de Rosemary Ruether, O Sexismo e a linguagem sobre Deus, procura oferecer uma teologia sistemática cristã com claro enfoque feminista.
Porém, como já foi comentado, o pensamento teológico feminista cristão teve seu nascedouro dentro do protestantismo. Desta forma, vamos nos ater a algumas mulheres de confissão evangélica responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento cristão ao redor do mundo.
Suzanne de Diétrich (1891-1981)
Não podemos considerar esta francesa como uma teóloga feminista, já que sua teologia não tinha como foco primordial a situação da mulher. Mas a importância desta leiga vinculada à Igreja Reformada de seu país prova de maneira cabal a dedicação de várias mulheres no desenvolvimento do cristianismo.
Portadora de uma grave deficiência física que dificultava sua locomoção, esta engenheira eletricista teve um papel fundamental na articulação dos movimentos estudantis cristãos na primeira metade do século vinte, chegando a fazer parte do Comitê Executivo da Federação Mundial de Estudantes Cristãos. Entusiasta do movimento ecumênico, foi, por um bom tempo, instrutora do Instituto Ecumênico Bossey, vinculado ao Conselho Mundial de Igrejas. No aspecto teológico, a grande contribuição de Suzanne pode ser percebida na forma como a mesma interpretava a Bíblia Sagrada. Claramente influenciada pela teologia dialética de Karl Barth e Emil Brunner, procurava transmitir a mensagem central do texto purificada das meras tradições humanas. Deixou verdadeiras pérolas no tocante à interpretação bíblica. Dentre vários livros, podemos destacar: A Descoberta da Bíblia, Uma Palavra Sempre Viva, Como ler a Bíblia hoje? e O Desígnio de Deus.
Jane Dempsey Douglas (1933- )
Teóloga estadunidense, é professora emérita de teologia histórica na Universidade de Princeton (EUA). Vinculada à Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), foi presidente da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas entre 1990-1997. Sua produção literária e acadêmica é bastante vasta, estando focada em uma interpretação contemporânea da tradição reformada, em questões sociais e, principalmente, no relacionamento entre mulheres e o cristianismo. Dentre suas várias obras, é digna de destaque Mulheres, Liberdade e Calvino, onde mostra que o reformador francês foi o mais aberto e progressista no tocante ao papel da mulher na sociedade e na igreja. Segundo Jane Douglas, Calvino considerava as restrições paulinas a respeito da atuação feminina na igreja vinculadas a um determinado contexto social. Assim, deveriam ser abolidas em um futuro próximo.
Elsa Tamez (1951- )
Metodista mexicana, é uma das principais expoentes da Teologia da Libertação Latino-Americana. Reside e trabalha na Costa Rica, exercendo seu ministério como biblista e professora na Universidade Bíblica Latino-Americana, da qual foi reitora por vários anos. É casada e mãe de dois filhos. Doutora em teologia pela Universidade de Lausanne, Suíça, foi membro com destaque na Comissão de Educação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas, contribuindo com numerosas organizações, como o Conselho Latino-Americano de Igrejas, Conselho Metodista Mundial e a Associação de Teólogos do Terceiro Mundo. Como teóloga da libertação, Elsa se divide entre a temática social e a questão de gênero, sendo o feminismo cristão assunto constante em seus escritos.
Seu livro As Mulheres no movimento de Jesus, o Cristo demonstra a atitude libertadora de Jesus para com as mulheres e a posição de destaque que elas ocuparam nas primeiras comunidades cristãs. Outras obras são dignas de menção: Contra toda condenação: A justificação pela fé, partindo dos excluídos, A Bíblia dos Oprimidos e A Hora da Vida: Leituras Bíblicas, onde a conversão a Cristo não é interpretada de uma forma meramente individual ou moralista, mas como uma radical mudança em prol da vida. Através do processo de conversão, o crente ingressa em um verdadeiro combate contra todo o tipo de opressão, discriminação e injustiça social.
Elaine Storkey (1943- )
Teóloga, filósofa e socióloga inglesa, é uma das principais expoentes do feminismo evangélico. Ligada ao grupo evangélico da Igreja Anglicana britânica, escreveu, em 1985, O Que Está Certo no Feminismo. Nos dizeres de Tony Lane, doutor em teologia pelo London Bible College: “Elaine insiste num feminismo biblicamente baseado como o terceiro caminho entre o antifeminismo cristão e um feminismo que se separa do ensino bíblico”. O trecho abaixo escrito por Elaine confirma a percepção de Lane:
“As feministas cristãs não estão querendo qualquer batalha de poder com os homens. Isto seria estranho à sua agenda. Nem estão querendo construir uma realidade totalmente feminina que lave suas mãos de qualquer envolvimento com o outro sexo. Mas elas não estão felizes simplesmente por se introduzirem num alçapão assinalado mulher e viverem suas vidas de acordo com um jogo de valores culturais determinados e essencialmente não-bíblicos. A mensagem que elas trazem é uma mensagem de libertação, e é para os homens também”.
Além da atividade decisiva destas mulheres em prol da teologia cristã, muitas outras exercem uma profícua missão no campo do pensamento cristão. Em nosso continente latino americano, podemos destacar o trabalho realizado pela pastora presbiteriana cubana Ofélia Ortega, reitora do Seminário Teológico Evangélico de Matanzas e secretária executiva por quase uma década do Programa de Educação Teológica para América Latina e Caribe do Conselho Mundial de Igrejas. No Brasil, onde a teologia feminista cristã ainda engatinha, as metodistas Sandra Duarte de Souza eTânia Sampaio representam o que de melhor e mais avançado há nesta linha teológica.
Ao contrário do que é pregado por grupos fundamentalistas, o desenvolvimento de uma teologia feminista de cunho claramente cristão, acompanhada por uma crescente participação das mulheres nos mais diversos ministérios ordenados, chegando, muitas vezes, a postos de liderança em muitas denominações, não reflete nenhum tipo de apostasia, mas, sim, o retorno aos tempos iniciais do cristianismo, quando homens e mulheres, seguindo de forma clara o exemplo de Jesus Cristo, exerciam o ministério em pé de igualdade.
fonte: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=395
Ainda no início do movimento cristão, a participação feminina, até mesmo em postos de comando e influência, foi atestada pela própria Bíblia. Personagens como Lídia, Febe, Priscila, Junia, Evódia, Síntique comprovam esta tese.
No entanto, com o passar do tempo e com a institucionalização do cristianismo, este absorveu boa parte do machismo predominante na sociedade como um todo. Desta forma, a influência feminina na jovem igreja cristã foi, gradativamente, relegada a segundo plano.
Durante todo o período medieval e até mesmo na época da reforma protestante, raras vozes femininas foram ouvidas. Pregadoras leigas valdenses e posteriormente calvinistas, assim como místicas católicas, como Teresa de Ávila, compunham uma minoria bastante reprimida.
Foi apenas no final do século dezenove que o pensamento teológico feminista deu seus primeiros passos, tendo como ponto de partida o projeto desenvolvido pela presbiteriana estadunidense Elisabeth Cady Stanton, denominado A Bíblia da Mulher. Importante líder abolicionista e feminista em seu país, Cady Stanton, como cristã, não aceitava a interpretação machista das Escrituras. Assim, com outras mulheres versadas nas línguas bíblicas originais, publicou, entre 1895 e 1898, dois volumes voltados à interpretação do texto sagrado sob um prisma feminino. A Bíblia da Mulher tinha como meta ressaltar a importância do sexo feminino na história sagrada, assim como reinterpretar de uma forma libertária os textos considerados machistas e preconceituosos.
Após este primeiro estágio, a assim chamada teologia feminista seguiu linhas diferentes. Algumas teólogas abandonaram por completo o cristianismo por considerá-lo incompatível com a luta em prol da emancipação feminina. É o caso da anteriormente católica Mary Daly, que afirma em sua obra Além de Deus, o Pai, que a linguagem fundadora do cristianismo é voltada, exclusivamente, para a manutenção do poder masculino. Outras, como Carol Christ, Elga Sorge e Elizabeth Gould Davis, decidiram retornar às antigas tradições pagãs, onde o culto a divindades femininas era bastante influente. Também houve uma revitalização por parte destas pensadoras da antiga forma de magia celta denominada Wicca, sendo as principais divulgadoras Miriam Simos e Zsuzsanna Budapest.
Não obstante esta radical ruptura com a tradição judaico-cristã promovida por algumas religiosas, parcela majoritária das teólogas permaneceu no cristianismo, tendo como meta continuar o trabalho iniciado por Cady Stanton e suas colegas. Dentre este grupo predominante, destacam-se os nomes de Rosemary Ruether eElisabeth Fiorenza.
Ligadas ao catolicismo romano, escreveram teses fundamentais para que a teologia feminista cristã atingisse a maturidade. Dentre os vários livros de autoria de Elisabeth Fiorenza, podemos destacar o clássico Em Memória Dela, onde o importante papel histórico exercido pelas mulheres na formação do cristianismo é relembrado. Já a principal obra de Rosemary Ruether, O Sexismo e a linguagem sobre Deus, procura oferecer uma teologia sistemática cristã com claro enfoque feminista.
Porém, como já foi comentado, o pensamento teológico feminista cristão teve seu nascedouro dentro do protestantismo. Desta forma, vamos nos ater a algumas mulheres de confissão evangélica responsáveis pelo desenvolvimento do pensamento cristão ao redor do mundo.
Suzanne de Diétrich (1891-1981)
Não podemos considerar esta francesa como uma teóloga feminista, já que sua teologia não tinha como foco primordial a situação da mulher. Mas a importância desta leiga vinculada à Igreja Reformada de seu país prova de maneira cabal a dedicação de várias mulheres no desenvolvimento do cristianismo.
Portadora de uma grave deficiência física que dificultava sua locomoção, esta engenheira eletricista teve um papel fundamental na articulação dos movimentos estudantis cristãos na primeira metade do século vinte, chegando a fazer parte do Comitê Executivo da Federação Mundial de Estudantes Cristãos. Entusiasta do movimento ecumênico, foi, por um bom tempo, instrutora do Instituto Ecumênico Bossey, vinculado ao Conselho Mundial de Igrejas. No aspecto teológico, a grande contribuição de Suzanne pode ser percebida na forma como a mesma interpretava a Bíblia Sagrada. Claramente influenciada pela teologia dialética de Karl Barth e Emil Brunner, procurava transmitir a mensagem central do texto purificada das meras tradições humanas. Deixou verdadeiras pérolas no tocante à interpretação bíblica. Dentre vários livros, podemos destacar: A Descoberta da Bíblia, Uma Palavra Sempre Viva, Como ler a Bíblia hoje? e O Desígnio de Deus.
Jane Dempsey Douglas (1933- )
Teóloga estadunidense, é professora emérita de teologia histórica na Universidade de Princeton (EUA). Vinculada à Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), foi presidente da Aliança Mundial de Igrejas Reformadas entre 1990-1997. Sua produção literária e acadêmica é bastante vasta, estando focada em uma interpretação contemporânea da tradição reformada, em questões sociais e, principalmente, no relacionamento entre mulheres e o cristianismo. Dentre suas várias obras, é digna de destaque Mulheres, Liberdade e Calvino, onde mostra que o reformador francês foi o mais aberto e progressista no tocante ao papel da mulher na sociedade e na igreja. Segundo Jane Douglas, Calvino considerava as restrições paulinas a respeito da atuação feminina na igreja vinculadas a um determinado contexto social. Assim, deveriam ser abolidas em um futuro próximo.
Elsa Tamez (1951- )
Metodista mexicana, é uma das principais expoentes da Teologia da Libertação Latino-Americana. Reside e trabalha na Costa Rica, exercendo seu ministério como biblista e professora na Universidade Bíblica Latino-Americana, da qual foi reitora por vários anos. É casada e mãe de dois filhos. Doutora em teologia pela Universidade de Lausanne, Suíça, foi membro com destaque na Comissão de Educação Teológica do Conselho Mundial de Igrejas, contribuindo com numerosas organizações, como o Conselho Latino-Americano de Igrejas, Conselho Metodista Mundial e a Associação de Teólogos do Terceiro Mundo. Como teóloga da libertação, Elsa se divide entre a temática social e a questão de gênero, sendo o feminismo cristão assunto constante em seus escritos.
Seu livro As Mulheres no movimento de Jesus, o Cristo demonstra a atitude libertadora de Jesus para com as mulheres e a posição de destaque que elas ocuparam nas primeiras comunidades cristãs. Outras obras são dignas de menção: Contra toda condenação: A justificação pela fé, partindo dos excluídos, A Bíblia dos Oprimidos e A Hora da Vida: Leituras Bíblicas, onde a conversão a Cristo não é interpretada de uma forma meramente individual ou moralista, mas como uma radical mudança em prol da vida. Através do processo de conversão, o crente ingressa em um verdadeiro combate contra todo o tipo de opressão, discriminação e injustiça social.
Elaine Storkey (1943- )
Teóloga, filósofa e socióloga inglesa, é uma das principais expoentes do feminismo evangélico. Ligada ao grupo evangélico da Igreja Anglicana britânica, escreveu, em 1985, O Que Está Certo no Feminismo. Nos dizeres de Tony Lane, doutor em teologia pelo London Bible College: “Elaine insiste num feminismo biblicamente baseado como o terceiro caminho entre o antifeminismo cristão e um feminismo que se separa do ensino bíblico”. O trecho abaixo escrito por Elaine confirma a percepção de Lane:
“As feministas cristãs não estão querendo qualquer batalha de poder com os homens. Isto seria estranho à sua agenda. Nem estão querendo construir uma realidade totalmente feminina que lave suas mãos de qualquer envolvimento com o outro sexo. Mas elas não estão felizes simplesmente por se introduzirem num alçapão assinalado mulher e viverem suas vidas de acordo com um jogo de valores culturais determinados e essencialmente não-bíblicos. A mensagem que elas trazem é uma mensagem de libertação, e é para os homens também”.
Além da atividade decisiva destas mulheres em prol da teologia cristã, muitas outras exercem uma profícua missão no campo do pensamento cristão. Em nosso continente latino americano, podemos destacar o trabalho realizado pela pastora presbiteriana cubana Ofélia Ortega, reitora do Seminário Teológico Evangélico de Matanzas e secretária executiva por quase uma década do Programa de Educação Teológica para América Latina e Caribe do Conselho Mundial de Igrejas. No Brasil, onde a teologia feminista cristã ainda engatinha, as metodistas Sandra Duarte de Souza eTânia Sampaio representam o que de melhor e mais avançado há nesta linha teológica.
Ao contrário do que é pregado por grupos fundamentalistas, o desenvolvimento de uma teologia feminista de cunho claramente cristão, acompanhada por uma crescente participação das mulheres nos mais diversos ministérios ordenados, chegando, muitas vezes, a postos de liderança em muitas denominações, não reflete nenhum tipo de apostasia, mas, sim, o retorno aos tempos iniciais do cristianismo, quando homens e mulheres, seguindo de forma clara o exemplo de Jesus Cristo, exerciam o ministério em pé de igualdade.
fonte: http://www.novosdialogos.com/artigo.asp?id=395
Feminista e Cristã?

foto: Mary Wollstoncraft (criadora do feminismo e cristã)
Ao longo dos séculos, as mulheres têm sido alvo de injustiças, violência e opressão e muitas igrejas são responsáveis por tal situação, seja por participação direta ou por omissão, diante do tratamento desumano e cruel dado a tantas mulheres no mundo. E as mulheres cristãs têm se posicionado em uma das diferentes correntes citadas anteriormente: aceitação, conscientização ou rejeição de tal contexto.
Como cristã, tenho procurado não deixar que minha fé interfira em minha capacidade de julgar questões que oprimem e violentam a mulher, como o aborto, o divórcio e a violência doméstica, por exemplo. Não se trata de ser contra ou a favor, mas de se ter uma postura justa e que tenha em foco a dignidade da mulher.
Eu nunca provoquei um aborto, nem aconselharia alguém a fazê-lo; no entanto, não julgo as mulheres que o praticam por conta de minha crença. Ignorar a violência de um estupro e as mortes provocadas por abortos clandestinos seria, no mínimo, hipocrisia. Da mesma forma, defender que a mulher deva manter um relacionamento em que é alvo de violência física e / ou psicológica, até que a morte os separe, é obrigar que ela e seus filhos se submetam a um jugo opressor e desumano.
Não me importo se me julgam incrédula ou me consideram escandalosa em minhas opiniões. Uma mulher que, por dezoito anos sustentou e criou, sozinha, os filhos, enquanto o marido estava ausente envolvido com bebidas e outras mulheres, por mais cristã que seja, jamais será submissa a este homem. É muito conveniente “pregar” que as posições de liderança e comando pertencem ao homem, e que o nosso “desejo é para o nosso marido e que ele nos dominará”, sem observar a tirania que se esconde por trás de indivíduos que se usam da tradição cristã para oprimir e violentar sua companheira.
Denise Rangel
AGÊNCIA DA VOLKS TENTA EXPLICAR ANÚNCIO MACHISTA

Acabei de receber um email da assessoria de imprensa da Almap BBDO pedindo desculpas “por qualquer interpretação preconceituosa que o anúncio criado para a Volkswagen possa ter lhe causado.” E tentando explicar o “mal entendido”. Segundo a agência, o anúncio da mulher enfiando a faca numa torradeira faz parte de uma campanha com outras cinco peças publicitárias que tratam de segurança no trânsito. As peças mostram pessoas distraídas, três homens e três mulheres. A próxima a ser veiculada (no mesmo jornal de Jundiaí, no próximo domingo) é esta ao lado, com os dizerem “Cuidado: ele também dirige”.
Nos anúncios, em letra bem pequena embaixo de tudo, está escrito “As cenas mostradas são apenas ilustrativas e foram realizadas por profissionais, não tente reproduzi-las”.
E aí, essa explicação alivia a barra da agência (que, como lembraram leitoras, é responsável também por propaganda considerada racista, como a do azeite Gallo do ano passado; por outro lado, a mesma agência fez umahomenagem bem razoávelao Dia Internacional da Mulher no ano passado)? Limpa a barra da Volks?
Contexto é tudo, na minha opinião. O anúncio sozinho da mulher com a faca na torradeira, sem o resto da campanha, continua sendo tremendamente machista. E o que me incomoda é o estilo retrô (vintage) do anúncio, tão parecido com peças dos anos 50/60. Além do mais, dizer que temos que ter cuidado com homens tontos porque eles dirigem é bem diferente de falar o mesmo das mulheres. Porque –- e olha o contexto aí de novo -– vivemos num mundo em que, apesar de todas as estatísticas apontarem o contrário, mulheres são consideradas péssimas motoristas. Então acontece uma falsa simetria quando se diz que fazer este anúncio com um homem e com uma mulher dá na mesma. Porque não é a mesma coisa.
Quando um homem faz uma barberagem no trânsito, ninguém grita “Só podia ser homem!”. Ele é um barbeiro individual que está longe de representar todo o gênero masculino. Mas uma mulher que dirige mal é vista como representante de todas as mulheres. Logo, não adianta que a mulher seja uma exímia motorista, cuidadosa, atenta, respeitosa com as leis. É só uma mulher tocar num volante que boa parte da sociedade achará que ela não deveria estar no volante... simplesmente por ser mulher. Se isso não é preconceito e discriminação, eu não sei o que é (lógico que isso não vale só pra dirigir. Esse é o princípio básico do preconceito. Pense em quantas pessoas gritariam "Só podia ser preto!" se o motorista barbeiro fosse negro. Ninguém diria "Só podia ser branco!" Mas o preconceito contra mulher que dirige parece pesar mais pra gente que outros "Só podia ser mulher!", porque interfere num direito caro a nós, que é o da liberdade de ir e vir, de ocupar o espaço público. E também porque carro, velocidade e potência estão tão associadas a um conceito -- arcaico -- de masculinidade).
Continuo achando péssimo o anúncio da Volks com a mulher e a torradeira. E fico imaginando como serão os outros dois anúncios com mulheres. Serão com elas em ambientes domésticos também, como uma cozinha?
Quero muito ouvir a opinião de vocês.
fonte: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/05/agencia-da-volks-tenta-explicar-anuncio.html
Uma Parabola
"Priscila, uma estudante de SP, deixou este comentário num post. Não é difícil descobrir a que a parábola se refere.
Era uma vez um casal no meio do deserto. O homem e a mulher que formavam aquele casal concordaram em cavar um poço para conseguir água e saciar a sede. Mal sabiam eles que naquele local iria emergir uma nascente de um grande rio. Após saciar a sede surgiu uma nascente e ali nasceu o início do rio. Eles então seguiram caminho, mas o rio traçava um caminho rente a eles, e com o passar do tempo, este rio ia se tornando maior e mais largo. O rio caminhava em direção ao mar, e o casal caminhava junto em direção a um castelo dos sonhos onde tudo era perfeito. Até que um dia eles encontram uma figura de um castelo do outro lado da margem do rio.
"Maldito rio! Ele tinha que estar entre eu e meu sonho?" exclamou o homem.
"Que tal construirmos um barco e seguir o curso do rio? Quem sabe iremos chegar lá depois de um tempo. Você me ajuda?"
"Não vou te ajudar, a culpa do rio estar aqui é toda sua! Eu não quero mais seguir o caminho ao seu lado. Vou procurar outro caminho para conseguir chegar ao castelo. Se vire com o rio que o rio é seu!"
Atônita, a mulher começou a indagar: "Devo construir um barco sozinha, velejar sozinha, e passar por todos os percursos tortuosos sozinha? Ou devo construir uma barragem sozinha e romper com o caminho do rio aqui mesmo, antes que ele tome outros rumos?"
Ela escolheu a segunda opção. Construiu a barragem e o rio evaporou, foi encerrado. Finalmente ela pôde chegar ao castelo, mas descobriu que ele não era tão perfeito assim, pois havia a lembrança de que o rio poderia fertilizar vários solos, poderia saciar a sede de várias pessoas, e conseguir por fim chegar ao seu destino, a imensidão do mar. Ela fez a sua escolha, e ninguém se dispôs a ajudá-la quando ela mais precisava. Depois deste ato ela foi bastante humilhada por várias pessoas que recriminaram sua barragem do percurso do rio. Mas ela retrucou: "Caso o rio seguisse caminho, ele também correria a chance de ser poluído pela sujeira humana e sua ignorância tóxica. Que garantia tenho que este rio ia ser amado e cuidado pelas pessoas?"
Eu: Não preciso nem dizer a que se refere esta parábola, né? Ela foi deixada num post sobre aborto. Discordo do moralismo no final -- não é toda mulher que sente remorso por abortar, e, ainda que fosse, o aborto deveria ser descriminalizado, porque cabe à mulher decidir. Também não é todo homem que abandona a parceira no caso de uma gravidez indesejada. Digamos apenas que isso é muuuuito mais comum que o sujeito insistir para que a moça continue a gravidez. Enfim, é uma parábola. E todas as parábolas são um pouco simples. Mas eu achei bem ilustrativa."
fonte: http://escrevalolaescreva.blogspot.com.br/2012/05/guest-post-uma-parabola.html
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