
foto: Mary Wollstoncraft (criadora do feminismo e cristã)
Ao longo dos séculos, as mulheres têm sido alvo de injustiças, violência e opressão e muitas igrejas são responsáveis por tal situação, seja por participação direta ou por omissão, diante do tratamento desumano e cruel dado a tantas mulheres no mundo. E as mulheres cristãs têm se posicionado em uma das diferentes correntes citadas anteriormente: aceitação, conscientização ou rejeição de tal contexto.
Como cristã, tenho procurado não deixar que minha fé interfira em minha capacidade de julgar questões que oprimem e violentam a mulher, como o aborto, o divórcio e a violência doméstica, por exemplo. Não se trata de ser contra ou a favor, mas de se ter uma postura justa e que tenha em foco a dignidade da mulher.
Eu nunca provoquei um aborto, nem aconselharia alguém a fazê-lo; no entanto, não julgo as mulheres que o praticam por conta de minha crença. Ignorar a violência de um estupro e as mortes provocadas por abortos clandestinos seria, no mínimo, hipocrisia. Da mesma forma, defender que a mulher deva manter um relacionamento em que é alvo de violência física e / ou psicológica, até que a morte os separe, é obrigar que ela e seus filhos se submetam a um jugo opressor e desumano.
Não me importo se me julgam incrédula ou me consideram escandalosa em minhas opiniões. Uma mulher que, por dezoito anos sustentou e criou, sozinha, os filhos, enquanto o marido estava ausente envolvido com bebidas e outras mulheres, por mais cristã que seja, jamais será submissa a este homem. É muito conveniente “pregar” que as posições de liderança e comando pertencem ao homem, e que o nosso “desejo é para o nosso marido e que ele nos dominará”, sem observar a tirania que se esconde por trás de indivíduos que se usam da tradição cristã para oprimir e violentar sua companheira.
Denise Rangel
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